Azul embrulhado em vermelho




Na consequência de um passo, ao entrar naquela sobreposição de pequenas salas numa vertigem de salão de baile, onde as cores e os reflexos são o inicío e a atitude o seu fim, desprendo-me das rédeas para deixar-me prender umas novas, desenfreeadas na forma de permitir salgar-me com doces. Ser o instante, mesmo sabendo que o tempo obriga a ter tempo, nunca é o bastante. Não basta um desejo, um confeito, uma anuência ou um olhar guloso. Importa algo mais. Algo que não se oferece ou aceita. Um suspiro quase filamento, um gesto que não se chegou a fazer, um olhar que não se dirigiu. Na percepção aconteceu. E ao acontecer em alguma camada, abre-se essa janela onde a oportunidade é um capítulo.

Comentários

  1. Quando o tempo e as oportunidades são efémeros, e o desejo e a ação nem sempre se alinham. Continua a excelência da escrita.

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